Avançam em terapias mais seguras para a leucemia mais frequente em crianças

Um grupo de cientistas do Instituto de Neurociências, centro misto do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e a Universidade Miguel Hernández de Elche (Alicante), leva seis anos trabalhando para conseguir medicamentos contra a leucemia linfoblástica aguda pediátrica com a mesma eficiência do que os disponíveis atualmente, mas com menos efeitos secundários. O trabalho tem alcançado avanços que recolhe um artigo na revista especializada ‘Cell Reports’.


Esta pesquisa, coordenada pela pesquisadora Maria Dominguez, permitiu descobrir novos aspectos do tumor e o desenvolvimento de uma plataforma de rastreio que permite avançar na busca de medicamentos mais eficientes e seguros para esta patologia, que poderá também ser estendida a outros tipos de câncer, detalha o CSIC, em um comunicado.


A leucemia linfoblástica aguda é o câncer mais frequente em idade pediátrica e representa cerca de um quarto dos diagnósticos em crianças menores de 15 anos. Embora a taxa de sobrevivência é alta, cerca de 90%, os efeitos colaterais do tratamento podem persistir durante meses ou anos, uma vez superado o câncer de sangue.


A pesquisadora, que dirige o departamento de Neurobiologia do Desenvolvimento do Instituto de Neurociências, explicou que “faltava um tipo de triagem para testar milhares de moléculas que permitisse ver o seu impacto sobre o tumor e sobre as células saudáveis”. Também para validar que “o que se observa em um modelo animal pode estar relacionado com a doença em humanos”.


Com os últimos avanços do projeto, Dominguez sublinhou que se poderá avançar mais rápido na pesquisa de fármacos eficazes e seguros e aplicá-lo a outros oncogenes e outros tipos de câncer.


“A maioria dos tratamentos em uso e muitos medicamentos experimentais são projetados para atacar células que se dividem”, ressaltou a especialista, pelo que estes fármacos conseguem diminuir o crescimento das células tumorais ao mesmo tempo em que impedem o das outras células saudáveis do organismo e causam sequelas importantes sobre o crescimento ou a memória, por exemplo.


O gene Notch, descoberto em 1917, faz parte de uma das vias mais complexas em câncer, e também tem um papel fundamental no desenvolvimento normal da maioria dos tecidos do organismo, como a pele, o intestino ou o sistema imunológico. Daí que os medicamentos contra a via Notch causar efeitos adversos nas células saudáveis em sua luta contra o tumor.


OTIMIZAR MEDICAMENTOS TESTADO EM CRIANÇAS


Uma alternativa que tem apontado pela pesquisadora é a de otimizar os medicamentos de que já foram testado em crianças para reutilizá-los em tratamentos contra o câncer. Para isso, era necessário dispor de um sistema biológico que permita testar milhares de fármacos de forma rápida, barata e preditiva, como o que os cientistas do CSIC-PT são vistoriado. Este permite ver a sua eficácia frente às células tumorais e os possíveis efeitos adversos sobre as células saudáveis.


O trabalho permitiu identificar possíveis tratamentos para a leucemia linfoblástica aguda pediátrica e, ao mesmo tempo, “descobrir aspectos não conhecidos deste tipo de tumor”, salientou Maria Dominguez.


Também foi determinada pela primeira vez que um fator importante no desenvolvimento de tumores causados por este e l. é a inflamação, que se sabia que estava associada a outros tumores, como o câncer de estômago, mas não a estes tumores pediátricos.


Em particular, os participantes do projeto são identificados por inflamatória cujos níveis aumentam a quinase PI3K e demonstraram que contribui para criar um ambiente propício para o crescimento das células cancerosas e para que o sistema imunológico deixe o caminho livre para o tumor.


Esta inflamação protumoral se tinha visto em estágios avançados os tumores, mas os estudos do CSIC-PT, graças ao novo método de rastreio desenvolvido, sugerem que também está na origem do tumor. Também serviu para verificar que muitos dos fármacos testados atuavam revertendo essa inflamação: “As drogas são capazes de matar as células leucêmicas, sem afetar as células saudáveis”, foi puntualizado a doutora.


COLABORAÇÃO COM A ASSOCIAÇÃO DE COMBATE AO CÂNCER


A intenção dos pesquisadores é aprofundar os mecanismos moleculares e sistémicos PI3 cinase e outras drogas identificados em um estudo de uso clínico em doenças inflamatória junto à fundação científica da Associação Espanhola Contra o Câncer.


De cara ao futuro, Maria Dominguez disse que os últimos resultados “podem acelerar a translação dos resultados e ensaios de novos medicamentos”. Foi posto como exemplo a evidência de que há tratamentos para processos inflamatórias como asma podem ser benéficos para a leucemia linfoblástica crônica em adultos.


No entanto, a especialista alertou que, dado que as crianças têm diferenças no sistema imunológico e características fisiológicas diferentes dos adultos, ainda levará para poder aplicar essas descobertas a pacientes pediátricos.

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