Relações humanas: tudo muda, nada muda
Redes sociais tudo muda nada muda

O evento do dia 7 de agosto de 2012 da Will Meeting School, denominado “Co-Vivência: Histórias em Rede”, trouxe como primeiro expositor Getúlio Reale, com a apresentação Relações humanas: tudo muda, nada muda. A palestra começou com dados do Facebook: segundo maior IPO da história (104 bilhões de dólares). Informação de que a mídia social tem mais de 900 milhões de usuários ativos por dia.

Comentou Erik Qualman no livro Socialnomics, dizendo que são as relações de compra e venda que intermediam as relações sociais. Como transformadoras da web, as mídias sociais ultrapassam pornografia em consumo online. 1 em cada 5 casamentos têm origem na internet, e 3 em cada 5 relacionamentos gays também.

World of Warcraft, um massive multiplayer online RPG, foi ponto de destaque na palestra, recorrente. Getúlio comentou dados: 30 milhões de jogadores (entre oficiais e piratas). Em média 22,5h de uso por semana, sendo que vários jogam 6h ou 8h por dia. Longas horas de jogo na realidade causaram mortes reais. Já ocorreu um assassinato motivado pelo furto de uma espada virtual. Casamentos online e off-line também ocorrem, mostrando que o jogo – virtual – é capaz de motivar relações sociais construtivas fora da internet. Forte repercussão em problemas com vício também é associado ao jogo estadunidense, produzido pela Blizzard. Mercado online de compra e venda de dinheiro virtual é outro ponto de destaque no WoW, onde usuário compram e vendem itens. Outro ponto interessante é que existem pessoas que trabalham apenas para comercializar esses bens virtuais: cerca de 120 mil farmers na China, pessoas que passam o dia inteiro acumulando dinheiro virtual para vender.

Estamos entrando na Matrix? Essa pergunta foi feita pelo palestrante, que lembrou de ouros filmes que têm temática tecnológica similar, como Surogates e Avatar, onde se vive de longe coisas virtuais. No primeiro caso, Mel Gibson interpreta um personagem velho que, por meio de um computador, vive sua vida através de um robô que é uma réplica dele mais jovem. O segundo é a história de um deficiente físico que consegue viver uma vida mais livre, sem a necessidade de uma cadeira de rodas, através de uma peça tecnológica que transmite suas percepções e ações para outro corpo.

Será que em função das redes sociais na internet há a libertação do homem? A pergunta de Getúlio Reale no evento da Will Meeting School pode ser abordada de duas maneiras: Ilusão estéril, sem interações reais e outra perspectiva, nada muda com as mídias sociais. De base: Michel Foucault, Roland Barthes, Jean Baudrillard, Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Pierre Bordieu, Jean-François Lyotard. Pop: Zygmun Bauman, Mafesoli.

Modernidade: mundo cartesiano e materialista, com produção de bens materiais e hierarquizado. As estruturas familiares rígidas e com papéis claros apareceram. A moral vinha das maiores religiões com um caminho único para viver. Era fácil saber o que fazer até a metade do século de 1900. A partir daí, a cultura passou a ser mais plural e as pessoas passaram a ser menos guiadas por isso, e o subjetivo passou a ser importante para o significado da vida das pessoas. A arte se popularizou. A estrutura familiar mudou. O senso de comunidade começou a ganhar força mais uma vez, mesmo antes da internet.

O palestrante usou como referência Daniel Miller (2011), autor que diz que a antropologia sempre tratou pessoas como redes sociais. Dão significado para suas vidas a partir de redes sociais. Relações de poder, religiões e revoluções são ligadas às redes sociais off-line. Bernard Cova (1997) foi citado como autor que relaciona o consumo com redes sociais e formação de personalidade. Usou como exemplo um anúncio onde aparece uma mulher fazendo pose junto de uma bolsa, como a imagem ao lado.

O consumo é mediador de relações sociais e meio para constituição de identidades, segundo Arnould e Thompson (2005) Exemplo: Harley Davidson. Senso de macho e liberdade e americanismo. A partir do uso da moto, construíam relações sociais. O palestrante usou como exemplo mais real e cotidiano a compra de detergente: quero ser reconhecido socialmente como alguém que oferece higiene. A escolha do tipo de produto e aroma é feita sobre a vontade de parecer limpo e organizado para amigos e família.

Terminou seu tempo mencionando que a internet potencializa mudanças macro da sociedade. Mudanças culturais e criação de universos sintéticos possibilizam afetos reais: mencionando realismo afetivo de Thrift (2008). Experiência vicária: sem riscos, menor custo, universos infinitos. Volta ao exemplo do World of Warcraft, onde usuários interagem muito num universo não real. Ferramentas efetivas para construção do ego aparecem ali.

A palestra foi ótima, e deu uma palha do que seguiria nesse dia de evento em Porto Alegre.

Perfil de Alan Lupatini no Google+

No comments
Deixe um comentário

Please type the characters of this captcha image in the input box

Por gentileza, prove que é humano escrevendo o código.


Redes Sociais Todos os Artigos Comentários


RSSTwitter: chadecerebro

  • Could not connect to Twitter


Chá de Cérebro is using WP-Gravatar